6 de jun de 2012

APARÊNCIA, COMPETÊNCIA E PERFIL PROFISSIONAL

ABRAHAM SHAPIRO
Manhã de domingo. Passo em frente a um grande hospital da cidade durante a minha caminhada. Enfermeiras estão saindo do trabalho. Elas riem, falam alto e brincam –  parece que saem de uma boate.
Vejo um programa de gastronomia na tv, dia desses. O chef sua o tempo todo diante das câmeras. Ele lambe os dedos quando prova algo do que prepara. Talvez não faça diferença para muita gente.
Mas será profissional agir destes modos?
Nem tudo o que parece profissional é profissional. Porém, um profissional parece profissional. Isto é certo. Quero dizer que aparência e competência têm estreita relação entre si.
O item mais importante em um processo de seleção de profissionais é o perfil do candidato. É o momento em que se determinam com clareza os traços de personalidade, as competências pessoais, profissionais e outros pontos desejados.
Poucas empresas dão importância à especificação deste perfil. As agências de recrutamento têm dificuldade em encontrar candidatos ideais justamente por causa desta deficiência.
Além disso, as empresas se apegam demais ao salário e à formação acadêmica ideal. Isso tem peso, sim. Mas no Brasil, os diplomas nem sempre são reveladores de talento e competência. Se formação técnica fosse uma prioridade, sim. Mas se considerarmos, por exemplo, a facilidade com que recém-formados se tornam professores universitários sem jamais vivenciar a prática profissional, basear-se em um diploma para reconhecer um profissional competente é arriscado demais. Você conhece alguém que tenha aprendido a tocar piano por almanaque? Então!
Duas coisas são responsáveis pelo desempenho de qualquer profissional: personalidade e competências.
Agora responda: você gostaria de ser atendido por uma enfermeira cheirando a cigarro? Mudaria a sua resposta se soubesse que ela tem um diploma?
E o que me diz de um corretor de imóveis mal educado? Fará diferença se souber que ele tem a carteira de registro no Conselho Regional dos Corretores?
A grosso modo, um diploma é apenas uma parte da excelência profissional. Os  “grandes” não têm currículos extensos na parte de cursos. O que eles sabem, sim, é conseguir resultados. Eles são estudiosos, são educados, conhecem sobre as pessoas e interessam-se por elas.
Na hora de selecionar profissionais, pense melhor nos critérios de avaliação e escolha que serão adotados. Eleve os pontos qualitativos acima dos quantitativos... E depois, é claro invista em treinamento!
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Abraham Shapiro é consultor e coach de líderes. Sua filosofia de trabalho, em uma só palavra, é "simplicidade". É autor do livro "Torta de Chocolate não Mata a Fome - Inspirações para a Vida, o Trabalho e os Relacionamentos", editora nVersos, 2012. Contatos: shapiro@shapiro.com.br ou (43) 8814 1473